dinÂMICAS bÍBLICAS
 
Estou à porta

ESTOU À PORTA

 

"Eis que estou à porta e bato.
 Se alguém ouvir minha voz e abrir a porta,
 entrarei em sua casa e cearei com ele."
(Ap 3,19)


Objetivo e sentido
Trata-se aqui de criar momento de oração pessoal. Para tanto, seria importante prever cópia do texto abaixo – Estou à porta - para todos os participantes. Além disso determi­nar tempo favorável e prolongado para oração retirada, cal­ma e profunda.

 

Primeiro passo: encaminhar
1. Providenciar para os participantes cópia do texto Es­tou à porta.
2. Motivar o momento de oração pessoal.
3. Prever tempo para a oração pessoal.

 

Segundo passo: partilha
1. Após a oração pessoal, criar momento de partilha em duplas, trios ou pequenos grupos.
2. Terminar com oração, todos juntos: cantos, preces, orações...

 

ESTOU A PORTA
Estas palavras não pertencem ao texto dos nossos quatro Evangelhos, mas, fazem parte do Apocalipse, pertencem ao evan­gelho eterno que reúne todas as mensagens que Deus dirige aos homens. Não conduzem a episódio histórico determinado. Expri­mem experiência que pode ser de ontem, de hoje ou de amanhã, apelo que, sem cessar, ressoa em meu coração, em meus ouvidos e em minha vida diária.


"Eu estou à porta..." Eu o vi chegar. Ele andava rapidamen­te. Sabia, ou melhor, sentia que se dirigia à minha casa, e me retirei, apressado, da janela, para que não me percebesse. Porque não estava seguro de lhe abrir a porta. Suas visitas provocaram em mim impressão contraditória. Nós nos conhecemos há muito tempo. Houve uma época em que éramos íntimos. Depois, nossos encontros se espaçaram. De um lado, sentia-me honrado e feliz de tê-Io em minha casa. De outro lado, eu me sentia mal.


Ele provo­cava em mim questões pessoais, inesperadas, que agiam como quei­maduras em meu íntimo. Eu tratava de levar o assunto para o domínio das idéias e das doutrinas, mas ele voltava sempre para as coisas íntimas, as coisas do coração sobre as quais eu temia falar. Muitas vezes ele veio e eu, ao invés de abrir, me escondi, não sem remorso e vergonha.


Agora, ele vem à minha porta. Não à porta principal de mi­nha casa, mas a uma porta lateral, menor. No começo de nossa intimidade, quando eu não tinha segredos para ele, havia lhe pe­dido que viesse sempre por essa porta, deixando a grande porta da frente para os estranhos e as visitas de cerimônia. Depois, co­mecei a sentir mal-estar por ter-lhe oferecido essa porta. Entran­do por ela, atravessava os cômodos mais familiares de minha casa nem sempre arrumados. Parecia interessar-se por minha sala de jantar, minha cozinha, meu quarto. Temia que descobrisse certas coisas que não eram o que deviam ser. Eu pretextava ocupações urgentes.
Para cortar de vez, condenei a porta lateral e comecei a fazê­10 entrar pela porta da frente. O tratamento que passei a lhe dar fez com que suas visitas se tornassem frias, formais e cada vez mais raras. Eis que ele chega hoje à porta lateral. Está fechada. Depois que foi condenada, vegetação selvagem começou a cobri­Ia. A fechadura ficou toda enferrujada. Ele pára diante de "sua" porta e olha para ela.
Será que vai tocar, mostrando que deseja refazer as relações íntimas de outrora? Toca. Será que abro? Nada está pronto para recebê-lo. Tudo se encontra em completa desordem. E onde está a chave dessa porta? Ele bate ainda. Observo de longe, toca suave­mente, lentamente. Noto que seu olhar se dirige diretamente para a porta. Sua expressão é grave, atenta, mas não impaciente. Pa­rece concentrar-se, não sobre a porta e a resposta que lhe darei, mas sobre a graça que o Pai pode inspirar.


Ele continua tocando. "Estou à porta e bato." O verbo está no presente. Trata-se de ação repetida continuamente. Que fa­zer? Não posso viver sem sua presença, e não posso suportar sua presença. Se abro, apresentar-me-á questionamentos? Tentarei desculpar-me? Só posso abrir, se me decido a entregar-me a ele, sem condições... Então não haverá problemas... Dirijo-me à por­ta. Abro-a com dificuldade, por causa das plantas parasitas que aí cresceram.


"Senhor, entra! Tu sabes..." Eu ia dizer: "Tu sabes, Senhor, que, apesar de tudo, te amo!" Mas não ouso continuar a frase, e um soluço me impede a voz. Ele me olha com sorriso calmo e diz: "Eu sei... cearei com você". Assusto-me: "Senhor, eu não preparei a ceia; não tenho nada do necessário". Respondeu: "Sou eu que o convido. Eu quero, em tua casa, celebrar a Ceia".

 

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