FAÇAM ISSO E VIVERÃO
"O homem que se equivoca, mas que apesar de tudo
possui certa consciência, um dia, quando perceber seu erro, provavelmente venha a admiti-lo,
e terá a possibilidade de mudar seu comportamento.
O homem sem consciência não consegue fazer isso.
E, ainda que mudasse, o faria forçado pelas circunstâncias.
É difícil ser solidário com homens sem consciência."
(Josef Tischner)
Sentido e objetivo
Um dos verbos que Jesus mais conjugava em sua vida era o verbo fazer: "Façam isso e viverão, não é o que diz 'Senhor, Senhor', que entra no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade do Pai..." De fato, a verdadeira liberdade não se situa no nível do saber, mas no nível da práxis, do viver.
Esta dinâmica visa a fazer uma revisão de nossa vida e pode ser motivo para partilhas, debates e de muito crescimento como pessoas e como grupo.
Trata-se de analisar nossa vida e nossas posturas - coerentes e incoerentes - nos mais variados ambientes de nossa vida. Perceber onde reproduzimos sistemas, opiniões, ideologias... e onde somos verdadeiramente livres.
Primeiro passo: considerar
1. O animador convida os participantes a lançar um olhar sobre a realidade mundial, nacional, local e para dentro de si mesmos. Seria importante, nesse olhar, tentar perceber as múltiplas maneiras de falar e encarar a vida.
2. Eis, em seguida, alguns exemplos: usamos aqui a primeira pessoa do singular (eu), mas também seria valioso usar a primeira pessoa do plural (nós) e a terceira pessoa do plural (eles).
a) Falo e não vivo o que falo.
b) Falo e vivo um pouco do que falo.
c) Falo e vivo o que falo.
d) Falo e faço o contrário do que falo.
e) Não falo e vivo alguma coisa.
f) Não falo e também não faço nada.
g) Não falo e faço muito.
h) Falo pouco e vivo pouco.
i) Falo pouco e vivo muito.
j) Falo pouco e não vivo nada do que falo.
3. Trata-se de analisar e revisar suas palavras e atitudes diaI.lte de tudo o que constitui a sua vida:
a) Deus
b) trabalho
c) compromissos
d) próximo
e) família
f) sociedade
g) estudos
h) grupo
i) comunidade
j) relações afetivas
k) (Acrescentar outras realidades importantes de cada grupo.)
Segundo passo: refletir
1. Reservar tempo para a reflexão individual a partir das sugestões acima ou outras. Seria bom anotar algo e não ficar muito nas generalidades, mas ser bastante concreto. Nesta reflexão individual, pode auxiliar:
1) Com quais das situações acima você mais se identifica?
2) Qual é a sua maior dificuldade em relação ao falar e ao viver?
3) Em qual desses aspectos sente grande desejo de crescer na vida?
4) Sugerir ao grupo outras questões importantes para a reflexão.
2. O texto abaixo - Seja feita a vossa vontade - também pode ser de muito proveito para a reflexão individual. Prever, se possível, cópia do texto abaixo para os participantes, com as questões.
Terceiro passo: partilhar
1. Proporcionar momento de partilha em duplas ou em grupos.
2. Tirar conclusões e proveito em nível pessoal e em nível grupal.
3. Elaborar uma ou duas frases que sintetizem o desejo de cada participante e do grupo. Esta frase pode ser em forma de projeto de vida do grupo, podendo ser afixado em mural para ser visto e revisto muitas vezes.
4. Terminar o encontro com oração todos juntos, com preces, pedidos de perdão, compromissos, abraço de paz, cantos...
"SEJA FEITA A VOSSA VONTADE"
"Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Chegou-se ao primeiro e disse-lhe:
- Filho, vai hoje trabalhar na vinha.
Respondeu: Vou, sim, senhor; mas não foi.
Chegou-se ao segundo e disse-lhe a mesma coisa. Ao que ele respondeu:
- Não quero; mas depois arrependeu-se e foi.
Qual dos dois fez a vontade do Pai? O último, responderam eles. Disse-Ihes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus. Porque veio a vós João, no caminho da justiça, e não crestes nele, ao passo que os publicanos e as meretrizes creram nele. E vós, que vistes isso, nem vos arrependestes para crerdes" (Mt 21,28-32).
O mais importante na vida é fazer a vontade de Deus. E a vontade do Pai é que a vinha seja cultivada, e não só cuidada e defendida.
"Quem faz a verdade vem à luz." Sejamos francos: teria sido muito mais cômodo dizer: "Quem contempla a verdade...", ou: "Quem guarda a verdade...", ou ainda: "Quem defende a verdade...", ao invés de "Quem faz a verdade..." Somente os operários da verdade - não os especialistas do "sim" - vêm à luz.
A verdade não é nossa. Não nos pertence. Vem do Pai. Porém, temos a possibilidade de fazer com que seja nossa: traduzindo-a nos comportamentos diários, na realidade do mundo em que vivemos, nas opções. O "fazer" estabelece ligação íntima, uma espécie de parentesco sangüíneo entre nós e a verdade.
Se nos apresentarmos na Casa do Pai apenas "armados" da verdade, isto será inútil, ilusão, pois a porta continuará fechada.
"Senhor, guardei a verdade." Ser cristão consiste em fazer acontecer a verdade de Deus sobre a humanidade: que sejamos todos irmãos.
Apresentar-nos na Casa do Pai não com a verdade debaixo do braço, mas com a verdade traduzida nos fatos. Deus nos reconhecerá como seus filhos.
"Nem todo o que me diz: 'Senhor, Senhor!' entrará no reino dos céus, mas quem faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: 'Senhor, Senhor! não profetizamos em teu nome, e em teu nome não expulsamos demônios, em teu nome não fizemos tantos milagres?' Deus, porém, lhes dirá: Não vos conheço; afastai-vos de mim, vós que operastes a iniqüidade" (Mt 7,21-23). O filho reconhecido pelo Pai é aquele que faz a vontade do Pai. Não aquele que diz fazê-Ia.
"Seja feita a tua vontade...", e não a nossa vontade: isto é realização.
Estarei realmente preocupado em descobrir e viver a vontade de Deus agora, aqui, nas circunstâncias atuais da vida? Quais os meus maiores medos e resistências? Por quê?
Quantos projetos de vida não levados a sério! Quanta oração só da boca para fora! Quanta crueldade com os outros para esconder minha infidelidade e traição! Quanta covardia, fugas, fechamentos! Quanto sim que se tornou não!...
Felizmente o Pai tem outros filhos à sua disposição. Os quais não dizem "sim", porém, mais tarde, fazem aquilo que devem, diferentemente de nós, que muitas vezes estamos prontos a dizer sim, mas depois fazemos o que queremos.
Somos convocados a fazer da justiça, da liberdade, da fraternidade, do amor, da doação e do serviço... os instrumentos de nosso trabalho e, ao mesmo tempo, os frutos que queremos colher na vinha do Senhor.
PARA REFLETIR
1. Sublinhe e reflita sobre o que mais lhe chamou a atenção neste texto.
2. Com que filho você mais se identifica e por quê?
3. Quando e onde seu sim é não e onde seu não se torna sim?
4. Para você, o que é pessoa coerente?
5. Como pode encontrar a vontade de Deus em sua vida?
6. Qual a diferença ou relação entre "saber" e "fazer" a vontade do Pai?
7. Do jeito como você vive, salvar-se-á? O que lhe falta?
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