liturgia
 
FUNÇÃO DO CANTO NA LITURGIA

Na liturgia a gente não canta simplesmente para cantar. O canto tem uma função importante na celebração. O canto e a música são parte integrante da liturgia. Por isso deve ser apropriado ao tempo litúrgico, aos momentos da celebração, para dar realce aos gestos, aos sinais sensíveis e para acompanhar os ritos.
Apresentamos alguns princípios/critérios que poderão ajudar para a escolha dos cantos numa celebração.

1. Canto de abertura ou canto de entrada

Função: Tem a finalidade de abrir a celebração, promover a união da assembléia, introduzir no sentido do tempo litúrgico ou da festa e acompanhar a procissão do presidente e dos ministros/as, É a resposta dos irmãos e das irmãs que se sentem convocados/as por Deus para se reunirem e O louvarem como único Senhor,
"O canto de abertura, inserido nos ritos iniciais, cumpre antes de tudo o papel de criar comunhão. Seu mérito é de convocar a assembléia e, pela fusão das vozes, juntar os corações no encontro com o ressuscitado... Este canto tem de deixar a assembléia num estado de ânimo apropriado para a escuta da Palavra de Deus". (Estudos da CNBB 79 A música litúrgica no Brasil n. 313)
Quem canta: toda a assembléia.
Letra: Deve ser um convite à celebração. Deve falar do motivo da celebração.
Música: De ritmo alegre, festivo, que expresse a abertura da celebração.
Duração: Não deve ser curto demais - duração razoável para acompanhar a procissão de entrada. Se a distância for curta, o canto poderá ser iniciado antes da entrada dos que irão presidir a celebração. Deve se prolongar até o momento em que o presidente esteja pronto para dar início à celebração.

 

2. Canto do Ato Penitencial
Função: Tem a finalidade de levar toda a comunidade a pedir perdão dos pecados, como povo de Deus. É um pedido de misericórdia e súplica ao Cristo-Senhor, aclamando-o também. Deve expressar confiança no perdão de Deus. Deve ser cantado, com expressão de "piedade". O "Senhor, tende piedade" é facultativo, quando o ato penitencial é substituído por outro rito correspondente, como a aspersão com água ou procissão.
"A música, o canto, a expressão corporal, nesse momento, devem propiciar o encontro com o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação (2 Cor 1,3), que nas liberta de toda culpa e nos restitui a paz pelo sangue de Cristo derramado na Cruz (CI,20)". (Estudos da CNBB 79 - A música litúrgica no Brasil n. 303)
Letra: Deve conter um pedido de perdão.
Música: lenta, que leve à interiorização, e que seja cantada com piedade.

 

3. Hino de Louvor (Glória)
Função: Tem a finalidade, de como Igreja, glorificar ao Pai e suplicar ao Cordeiro Divino.
Expressa a alegria da filiação divina e a Salvação concedida. É cantado aos domingos exceto no Advento e na Quaresma - , nas solenidades e festas. Não é simples louvor trinitário. Devem ser evitados os glórias abreviados; nem deve ser substituído por qualquer outro hino de louvor.
"O Glória, que é um hino antiqüíssimo, iniciando-se com o louvor dos anjos na noite do Natal do Senhor, desenvolveu-se antigamente no Oriente, como homenagem a Jesus Cristo. Não constitui uma aclamação trinitária. " (Estudos da CNBB 79 - A música litúrgica no Brasil n. 303)
Música: Ritmo alegre e festivo.
Quem canta: Toda assembléia, ou alternadamente, em dois grupos: por exemplo, grupo dos cantores, por um solista e povo.

 

4. Salmo Responsorial
Função: Tem a finalidade de dar resposta à Palavra ouvida. O salmo é um dos cantos mais importantes da liturgia. É parte integrante da liturgia da Palavra. Ele é Palavra de Deus. Por isso deve ser salmo mesmo; não poderá ser substituído por outro canto ou mesmo outro salmo que não esteja em sintonia com a primeira leitura, e nem poderá ser omitido.
“... O salmo tem sido cantado como prolongamento meditativo e orante da Palavra proclamada. Ele reaviva o diálogo da Aliança entre Deus e seu povo, estreita os laços de amor e fidelidade". (Estudos da CNBB 79 - A música litúrgica no Brasil n. 317)
Letra: O salmo é sempre um texto bíblico, extraído do saltério.
Música: Como os salmos são destinados a um momento de resposta (de meditação), o seu acompanhamento instrumental deverá ser feito com suavidade. A voz e o corpo devem expressar o sentido da letra do salmo.
Quem canta: Todos os salmos foram compostos para serem cantados e não só rezados. A execução do salmo responsorial é dialogal: o salmista (solista ou alguém da equipe de canto) entoa os versos sálmicos e o povo responde cantando um curto refrão.
Obs.: Evitar a palavra "todos" na hora em que a assembléia deve responder o refrão. O salmista deverá fazer um discreto gesto com as mãos e rezar junto com a assembléia. .
Deve ser cantado do ambão (mesa da Palavra).

 

5. Aclamação ao Evangelho
Função: Tem a finalidade de dispor a assembléia a acolher com alegria e entusiasmo a Palavra da Salvação. É um canto de exultação diante da Palavra de Jesus Cristo. Pela aclamação a comunidade reconhece e professa que Cristo está presente - Ele é o Verbo, a Palavra!
“A aclamação..., que tem sua origem na liturgia judaica, ocupa lugar de destaque na tradição cristã. Mais do que apenas a procissão do Livro, sempre foi a expressão de acolhimento solene de Cristo, que vem a nós por sua palavra viva, sendo assim manifestação da fé nesta presença atuante do Senhor". (Estudos da CNBB 79 - A música litúrgica no Brasil n. 302)
Letra: Consta do "Aleluia" e de um versículo (cf. lecionários), quase sempre tirado do Evangelho que vai ser proclamado. Deve ser de poucas palavras e de muita alegria ("Hallelu-Jah"= Louvai a Javé!).
Música: De ritmo vibrante, festivo, alegre e acolhedor que nos coloca em prontidão para ouvir a Palavra de Deus.
Quem canta: É cantado por toda a assembléia Obs.: - O "Aleluia" poderá ser repetido também após a proclamação do Evangelho.
- No tempo da quaresma não se canta o "aleluia".

 

6. Apresentação das Oferendas
Função: Tem a finalidade de introduzir a assembléia na Liturgia Eucarística. Acompanha a procissão das oferendas e se prolonga até que os dons tenham sido colocados sobre o altar. A apresentação das oferendas e a aclamação da assembléia que se seguem, podem ser cantadas. Ou a assembléia pode cantar um outro refrão, de caráter mais geral. Ainda, musica instrumental.
Letra: Pode ser um canto suave que expresse louvor e prepare a comunidade para a grande oferta com Cristo ao Pai. "Não precisa falar, necessariamente, de pão e de vinho ou de ofertório, mas pode ser um texto apropriado de louvor, de acordo com o tempo litúrgico." (Estudos da CNBB 79 - A música litúrgica no Brasil ri. 319). É um momento de descontração, onde a assembléia está assentada. .
Música: De preferência uma melodia calma. Caso não se cante, os instrumentos poderão fazer um fundo musical.
Quem canta: toda a assembléia, coral, solo e povo alternados, ou simplesmente um instrumento fazendo um solo.
Obs.: É um canto facultativo na celebração - pode ou não ser cantado.

 

7. Santo Função: Tem a finalidade de aclamar, exaltar e bendizer o Santo de Deus - Nosso Senhor Jesus Cristo. É a grande aclamação da Missa. É "para concluir o Prefácio da Oração eucarística ou então para cantar o louvor de Deus na Celebração da Palavra, o povo todo aclama o Senhor com as palavras que lsaías ouviu os Serafins cantarem no Templo, na sua visão (Is 6,3 e Mt 21, 9)" (Estudos da CNBB 79 - A música litúrgica no Brasil n. 303).
Letra: É importante que seja proclamado o texto integral. Deveria ser sempre cantado.
Música: É um ritmo vibrante e alegre por natureza.
Quem canta: toda a assembléia. É bom cantar o Prefácio, as aclamações também...

 

8. Aclamação após a Consagração
Função: Tem a finalidade de "expressar o anúncio do Mistério Pascal. comemorando () abaixamento e a glorificação do Senhor e pedindo sua vinda... Esse é o momento do Memorial. do anúncio do Mistério Pascal. e não de devoção à Presença Real. Portanto, não se deve substituir essa aclamação por um canto eucarístico" (Estudos da CNBB 79 A música litúrgica no Brasil n. 304).
Letra: O missal apresenta três aclamações, as traduções mais "aclamativas" são: "Vinde, , Senhor Jesus!; "Salvador do mundo, salvai-nos!"
Quem canta: "sendo uma das aclamações mais importantes da missa. Convém muito que seja cantada por todos, em resposta à introdução 'Eis o mistério  da fé/", entoada por quem preside ". (Estudos da CNBB 79 - A música litúrgica no Brasil n. 304).

 

9. Doxologia final
Função: E o louvor final, após a narração das maravilhas e dos beneficias de Deus pelo seu povo. Não é aclamação, por isso não é proclamada por toda a assembléia, e sim pelo presidente: "Por Cristo...". em resposta, a assembléia aclama o AMÉM (aleluia ou outras aclamações, conforme consta no missal), que deve ser solene expressivo, vibrante, repetido, sinal de adesão, compromisso, concordância, comunhão. "Mediante esta aclamação. os fiéis, concordando com toda o Oração eucarística, proclamada por quem preside, assumem-na solene e enfaticamente como sua". (Estudos da CNBB - 79 - A música litúrgica no Brasil n. 305). .
Música: O ritmo é vibrante, alegre e solene .
Quem canta: O amém final é o amém mais' importante da missa. Por isso, deve ser sempre cantada, por toda a assembléia.

 

10. Pai Nosso
Função: Todos unidos ao sacrifício de Cristo, por Ele reconciliados com o Pai, podem exclamar com amor e confiança: "Pai nosso..." Esta oração, ensinada por Jesus, pode ser dita em grande exultação. Convém mesmo que seja cantada. É oração preparatória por excelência para a comunhão. "A 'oração do Senhor' introduz nossa preparação imediata para a participação no Banquete Pascal". (Estudos da CNBB 79 - A música litúrgica no Brasil n. 309).
Letra: Texto bíblico Não deve ser substituída' por outras palavras que não as do próprio Jesus.
Música: Melodia simples Quem canta: toda a assembléia.

 

11. Oração pela paz - Abraço da paz
Função: "Acompanhar o gesto da saudação da paz. É um canto facultativo, podendo ser reservado para ocasiões especiais". (Estudos da CNBB 79 - A música litúrgica no Brasil n. 322). O cumprimento é sempre um gesto simbólico. Deveria se cumprimentar apenas quem está mais próximo, representando os demais... O rito não deve levar muito tempo. Entoar um canto e todos se abraçarem parece que não está de acordo com o espírito da saudação da paz. Distrai muito diante do que vai seguir: a fração do pão e a própria comunhão. O melhor seria deixar o canto para circunstâncias especiais, ou pequenos grupos. Cantar e saudar ao mesmo tempo dispersa a atenção...

 

12. Fração do pão - Cordeiro de Deus
Função: "Este canto litânico acompanha o partir do pão, antes de se proceder à sua distribuição". (Estudos da CNBB 79 - A música litúrgica no Brasil n. 3 I O).
O Cordeiro de Deus é o canto da assembléia que acompanha a fração do pão. Não é função do presidente começar o Cordeiro, e sim, do povo. Convém que seja cantado.
Música: O ritmo e o modo de execução sejam condizentes com o sentido de invocação e
súplica, próprio do canto do "Cordeiro de Deus". (Estudos da CNBB 79 - A música litúrgica no Brasil n. 310). .
Quem canta: A equipe de canto, alternando com a assembléia. .

 

13. Comunhão
Função: Tem a finalidade de acompanhar e solenizar a comunhão dos fiéis, expressar a  caridade fraterna e exprimir a alegria pascal que celebramos. O Canto começa quando se inicia a comunhão e prolonga-se enquanto todos recebem o Corpo de Cristo. É bom faze-lo de forma dialogada: solista e assembléia: assim, os comungantes não precisam preocupar-se com o texto, folheto, etc., ou um canto estrófico, cantado por todos.
"O canto de comunhão visa, muito especialmente, a fomentar o sentido de unidade. È canto que expressa o gozo pela unidade do Corpo de Cristo e pela realização do Mistério que está sendo celebrado". (Estudos da CNBB 79 - A música litúrgica no Brasil n. 314).
Letra: Dar preferência as letras que tenham sintonia com o evangelho.
Música: Processional, toada, balada...
Quem canta: toda a assembléia. Solo-assembléia, equipe de canto.
Após a comunhão convém ter um espaço de silêncio.

(Fonte:Casa da Juventude, aprofundamento em liturgia 2007. Cortesia Pe.Mirim)          

 

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