Frequentemente nos esquecemos dessa dimensão tão importante, apesar dela fazer parte do nosso cotidiano.
As dinâmicas visam o "despertar" para a dimensão social. Vale lembrar que a vida em abundância prometida por Jesus (Jo 10,10) não se confina apenas às paredas da Igreja e do grupos. O Reino de Deus é maior do que a Igreja!
Bom proveito!
Objetivos
Refletir sobre a realidade humana e o trabalho hoje. Despertar a consciência sobre o tipo de trabalho que se executa. Observar a desvalorização do trabalho criativo e sua alienação.
Material
Seis tipos diferentes de papel: laminado, seda, presente, jornal, pardo etc. Tesoura, cola, 45 pedaços de jornal ou folhas de computador de tamanhos iguais (40 x 30 cm).
Processo
• 1° passo: Solicitam-se três voluntários. Pedir a cada um deles para fazer um chapéu/barco (ou coisa que saiba fazer), podendo escolher com qual material deseja trabalhar (tipos de papel) e o modelo de chapéu que deseja fazer.
• 2° passo: Depois que os três chapéus estiverem prontos, dispensar os três voluntários e convidar outros sete. Colocar os sete sentados, com uma mesinha para cada um deles, em linha reta de frente para o grupo.
• 3° passo: Os sete voluntários irão fazer chapéus com os pedaços de jornal, e cada voluntário fará uma dobra, até que o chapéu fique pronto. O animador da dinâmica dará as instruções, dizendo a tarefa que cada voluntário deverá executar:
a) O 1° deverá fazer a primeira dobra no papel;
b) O 2°, a segunda dobra;
c) O 3° fará a dobra da quina do chapéu;
d) O 4° fará a dobra da folha que sobrar da quina;
e) O 5° fará a última dobra para ser colocada na quina;
f) O 6°e o 7° deverão colar as últimas dobras.
NB: É simples. Basta fazer um chapéu para ver as etapas necessárias para confeccioná-lo, e depois dividir entre os sete. O animador da dinâmica deverá guardar os chapéus em lugar que não sejam vistos pêlos voluntários, à medida que forem ficando prontos. No decorrer da dinâmica o animador pode trocar alguns que estiverem atrasando por outros voluntários, ou contratar outros voluntários para ajudar. Isto pode ajudar na reflexão em grupo; depois, apresentando o fato da reserva de mão-de-obra existente e o da mão-de-obra barata disponível.
• 4° passo: Depois de tudo pronto, pergunta-se aos voluntários:
a) Ao 1°: O que você fez? Por que você fez este trabalho?
b) Ao 2°: Por que não criou algo diferente no trabalho que executou?
c) Ao 3°: Qual a finalidade deste trabalho que executou?
d) Ao 4°: Quem irá usar este chapéu?
e) Ao 5°: Quantos chapéus você fez?
f) Ao 6°: Onde estão os chapéus que você fez? Para que vão servir?
• 5° passo: Fazer um círculo e abrir uma discussão com o grupo. "O que você achou do trabalho realizado pêlos três primeiros voluntários? E o trabalho realizado pêlos sete? O que isto tem a ver com nossa realidade hoje? Qual a contribuição ou prejuízo que traz ao trabalhador este segundo tipo de trabalho realizado pêlos sete?" O animador pode fazer outras perguntas que ajudarão na reflexão.
Obs.: A dinâmica não precisa ser feita necessariamente construindo um chapéu. Pode ser um barquinho, ou outra coisa que possa ser feita em série, conforme o exemplo do chapéu.
Objetivos
Valorização das vocações e profissões; valorização do outro. Conscientização sobre nossa interdependência e sobre a necessidade de conviver na justiça e fraternidade.
Material
Não é necessário.
Processo
• O animador convida um participante do grupo para ir à frente e pede que suba em uma cadeira. Imediatamente, pergunta ao grupo o que aquela pessoa precisa para viver.
• Assim que o grupo responde, o animador pergunta: "Quem pode providenciar isso?"
• Diante da resposta do grupo, o animador chama alguém à frente, que representará aquele que vai "providenciar" o necessário.
• O animador pergunta novamente o que este último precisa para viver e, diante da resposta do grupo, chama alguém que será aquele que representa o que o outro precisa. Por exemplo: O que o "fulano" (um jovem) precisa para viver? Comida. Quem faz a comida? A mãe. O que a mãe precisa para viver? Casa. Quem providencia a casa (constrói)? O sicrano (chama alguém para ser o sicrano). O que este precisa para viver? Roupa. E quem pode fazer a roupa? O alfaiate. E quem pode ser o alfaiate? E por aí vai...
• E assim continua a dinâmica até que todos, ou um bom grupo, possam estar representando as mais variadas profissões.
• A dinâmica chama-se "Chico" porque cada novo participante que vai à frente é chamado de Chico.
• Avalia-se a dinâmica, partilhando a experiência feita e chamando a atenção para a intercomplementaridade das diversas profissões e vocações, bem como para a integração social. Ninguém vive só. Precisamos conviver com relações fraternas, na justiça e na paz. Avaliar também como acontece esta interdependência em nossa sociedade e como se dão as mais diferentes relações (familiares, afetivo-sexuais, na rua, na escola, no trabalho, no lazer...).
Objetivos
Refletir sobre a realidade socioeconômica. Despertar para a necessidade da partilha e da transformação da sociedade.
Material
Uma bisnaga de pão (um pão grande) ou um bolo.
Processo
• Tomando como referência um grupo de 100 pessoas, fazer a divisão do pão de acordo com a porcentagem abaixo (se ogrupo for de 20, divide o número das pessoas por 5, e assim por diante): 1 pessoa fica com 14% do pão; 9 pessoas ficam com 35%; 10 pessoas com 17% ; 30 pessoas com 23% do pão, e 50 pessoas com 11% do pão.
Feita a divisão do grupo e distribuído o pão de acordo com as referências acima, pedir que cada grupo coma o seu pão. Procurar garantir o direito de quem recebeu mais, tanto por argumentos como por segurança, se for o caso. Se o grupo for grande, deixar algumas pessoas observando as reações de cada pessoa e grupo.
• Refletir a experiência. Algumas questões que podem ajudar: Como você se sentiu? Por quê? O que observou? Quais foram as reações observadas? O que isso tem a ver com nossa sociedade? Você sabia que esta é a forma como a riqueza nacional, os bens são distribuídos? Como reagimos diante desta realidade? O que tem a ver com o que o papa afirmou ao dizer que "há ricos cada vez mais ricos, às custas de pobres cada vez mais pobres"?
Obs.: Num primeiro momento pode-se defender a divisão feita, como escutamos tanta gente fazer na rua, na TV,
inclusive governantes... Pode-se também confrontar com o texto da multiplicação dos pães em Jo 6,1-15. Depois perguntar o que e como podemos fazer para transformar essa realidade.
Objetivos
Despertar o grupo para a importância da organização, pois eficiência não é questão de força, e não há problema sem solução.
Material
Não é necessário.
Processo
• Forma-se um círculo. Todos de mãos dadas.
• O animador propõe para o grupo um desafio: o grupo deverá ficar voltado para fora e de costas para o centro do círculo sem soltar as mãos. Este detalhe é importante: ninguém pode soltar as mãos em hora nenhuma. Se alguém já conhece a dinâmica, deve ficar de fora observando ou então não tomar iniciativa no grupo.
• O grupo deverá buscar alternativas até atingir o objetivo.
NB: Saída —> O grupo todo deve passar por baixo dos braços, entre duas pessoas. Como? Alguém toma a iniciativa e vai entrando no círculo até passar debaixo dos braços da pessoa que está do outro lado do círculo. E leva consigo as outras pessoas sem soltar as mãos. Quando todo mundo passar, basta os dois últimos virarem também, que todos ficarão de costas formando novo círculo ainda de mãos dadas.
• Se for o caso, pedir para desvirar o círculo sem soltar as mãos. Só dará certo se se repetir o mesmo processo. Serve para verificar se o grupo assimilou o aprendizado.
• Analisar a dinâmica. As questões abaixo poderão ajudar:
a) O que viram?
b) Como se sentiram?
c) Foi fácil encontrar a saída? Por quê?
d) Alguém desanimou? Por quê?
e) O que isso tem a ver com o nosso dia-a-dia?
f) Nossa sociedade precisa ser transformada?
g) O que podemos fazer? Como?
Objetivo
Provocar debate acerca dos serviços mais necessários à vida
(profissões). Despertar para a consciência de toda e qualquer profissão.
Material
Fichas, contendo cada uma o nome de uma profissão.
Processo
• Cada participante recebe uma ficha com o nome de uma profissão e tenta encarná-la/representá-la.
• Por instantes, analisar a importância daquela profissão.
• Depois da interiorização, dizer: "Vamos viajar porque aquela cidade fica distante". E todos se põem em atitude de quem viaja.
• Um tempo depois diz-se que o navio está afundando e existe apenas um bote onde se salvarão apenas sete pessoas. "Quem deverá salvar-se?"
• O grupo decide as sete pessoas. Em seguida, pode-se retomar a "viagem" e sugerir que se decida, entre os sete, quatro que seriam indispensáveis, e assim por diante, até chegar a apenas um.
• O grupo deve decidir quais as profissões mais urgentes que devem ser salvas. Analisar as reações. Questionar as decisões e os valores considerados para a escolha daqueles que deveriam ser salvos. Pode-se também refletir sobre um texto bíblico como conclusão.
Objetivos
Refletir sobre nossa realidade sociopolítica e trabalhar sobre a importância da organização dos oprimidos.
Material
Não é necessário.
Processo
• 1° passo: Formar dois círculos de mãos dadas, um dentro do outro. Se o grupo for pequeno, formar um círculo só.
• 2° passo: Pedir dois voluntários, sendo um mais forte, encorpado, e outro mais frágil. O maior representará a onça, e o outro o gato. A onça deverá pegar o gato.
• 3° passo: Colocar o gato dentro do círculo menor e a onça fora ou na parte interna entre os dois círculos. Num primeiro momento, orientar as pessoas para que favoreçam discretamente a onça, pois ela é perigosa, tem poder etc. Dar um sinal para iniciar o pega. Quando a onça pegar o gato, repetir com mais dois voluntários.
• 4° passo: Escolher mais dois voluntários, podendo renovar o círculo interno, se for conveniente. Dar a seguinte orientação: o grupo deve proteger o gato, pois ele é mais frágil e desprotegido. Se a onça entrar, prende-a deixando o gato sair pelo outro lado. A onça terá de romper o cerco para pegar o gato. Mesmo se não conseguir pegar, depois de certo tempo, substituir os voluntários.
• 5° passo: Avaliar a experiência. Sugerimos algumas questões. Pode-se escolher algumas delas e/ou também elaborar outras mais adaptadas à sua realidade.
- Como você se sentiu na brincadeira? Para quem você torceu?
- Quais são as características das onças e dos gatos?
- Hoje, quem representa as onças? E os gatos? Por quê?
- Quem representa o círculo e o "coordenador" da dinâmica?
- Normalmente, quem as leis, a polícia e o Estado mais protegem? Quem elabora tais leis? Quem faz com que sejam executadas?
- O que acontece quando os gatos estão unidos, organizados e protegidos nos seus direitos?
- O que esta brincadeira tem a ver com nosso grupo e nossa comunidade?
- Como a máxima "Levar vantagem em tudo" interfere nas relações econômicas/comerciais, políticas, sociais, familiares e de namoro?
- É possível uma sociedade sem onças e gatos? Como construí-la?
- O que achou da dinâmica? Que lições podemos tirar para a vida?
Objetivos
Conscientizar as pessoas acerca da mudança de lugar, dentro de um grupo, e a tomada de uma posição agradável para o corpo. Despertar para a importância da mudança em nossa vida. Mudar de posição não é o mesmo que mudar de lugar.
Material
Não é necessário.
Processo
• O animador propõe que cada participante escolha um lugar e tome uma posição confortável. Quem ainda não estiver bem acomodado, poderá fazê-lo.
• O que se deve observar é o seguinte: a partir do momento em que todos receberam a ordem para escolher uma posição de conforto, quem é que mudou de posição? Quem mudou de lugar? Que mudança fizeram?
• Há quem muda de lugar e há quem modifica a posição do corpo. Cada qual irá dizer ao grupo a mudança que realizou.
• Como acontece ao se receber a ordem de tomar uma posição agradável, há os que mudam de lugar e os que mudam de posição de apoio do corpo.
• Na verbalização que segue ao exercício, convém as pessoas se conscientizarem acerca do que fazem quando procuram tomar uma posição confortável. É importante chamar a atenção para a situação, o lugar que ocupamos na sociedade; o lugar de onde vemos/ouvimos/sentimos e vivemos os conflitos sociopolítico-econômicos,bem como nossa coragem para mudanças mais radicais.
• Como isso se dá em nosso dia-a-dia, em nosso quarto, na arrumação das coisas e ambientes? Fazemos exercício de mudança ou é sempre do mesmo jeito? O que isso tem a ver com a realidade social, política e econômica? Somos pela transformação ou pela manutenção do "status quo"?
Objetivos
Experimentar diferentes relações de poder. Explorar os sentimentos de domínio e sujeição.
Material
Não é necessário.
Processo
• Para uma vivência do domínio, o animador coloca uma pessoa em pé, em cima de uma cadeira. Tal pessoa continua participando das atividades naquela posição.
• As pessoas que estão sentadas nas cadeiras têm a impressão de ser subordinadas.
• É possível variar o exercício: alguém pode sentar-se no chão enquanto os demais ficam sentados em cadeiras, ou ficam sentados enquanto os outros ficam de pé nas cadeiras. • E extraordinário observar como essas simples modificações espaciais fazem aflorar sensações de conforto ou desconforto.
• Prosseguem-se os comentários acerca da experiência. Dar a todos a oportunidade de partilhar seus sentimentos.
Objetivos
Despertar para a vivência da solidariedade.
Material
Balas/bombons; duas ou três varas ou cabos de vassoura; barbante ou fita para amarrar. Dois ou três voluntários, dependendo do tamanho do grupo.
Processo
• 1° passo: Pede-se aos voluntários para abrir os braços. Depois põe-se a vara ou cabo de vassoura nos ombros, acompanhando os braços. Amarrá-lo nos pulsos, bem próximo à mão, de tal modo que não seja possível dobrar os braços.
• 2° passo: Pôr as balas sobre uma mesa e pedir aos três voluntários para chupar as balas, sem dobrar os braços. Enquanto isso, o grupo observa o processo, sem dar sugestões.
NB 1: A saída para os três é muito variada. Eles devem descobrir o caminho, fazendo um processo de descoberta. Por isso é importante que quem está observando não queime etapas com sugestões.
NB 2: Algumas saídas possíveis: pegar a bala com a boca e descascá-la com a língua; descascar com a mão e pegá-la com a boca; descascar a bala juntos e um colocar na boca do outro; desamarrar as mãos do outro para, livres, chuparem as balas juntos (dificilmente descobrirão esta alternativa). Outros aspectos: chupar as balas sozinho ou partilhar com os outros; dar a bala com o papel ou descascada.
- 3° passo: Avaliar a experiência:
- Como os três se sentiram? E os demais?
- O que o grupo observou? Como se deu o processo de chupar as balas? Poderia ter sido diferente?
- Isso tem a ver com o nosso dia-a-dia? O quê? Por quê?
- O que a bala doce pode significar para nós? O que faz a nossa vida ser mais doce, alegre, feliz?
- Quais são nossas amarras? Quais são suas consequências? O que fazer, e como, para nos libertar delas?
Objetivos
Sensibilizar o grupo para questões sociais (por exemplo: a marginalização). Conscientizar acerca do comportamento de cada cidadão marginal e de como ele é tratado pela sociedade.
Material
Cartões contendo nomes/categorias de marginalizados (por exemplo: alcoólatra, doido, prostituta, drogado, homossexual...).
Processo
• Cada participante recebe um cartão com um tipo.
• O grupo deve dizer sobre o comportamento de cada um e escolher alguns, considerando a dificuldade de conviver com este tipo na sociedade. A escolha deve ser feita por todos em forma de eleição. Os motivos da escolha devem ser questionados, bem como o modo como convivemos com cada um no dia-a-dia.
• Avaliar a dinâmica, partilhando os sentimentos vivenciados.
Objetivos
Trabalhar as relações de classe na sociedade; fazer a passagem das relações entre iguais para a relação de produção.
Material
Equipamento para fundo musical.
Processo
• Coloca-se um fundo musical e formam-se grupos de três para fazer uma construção em que um é o pedreiro e os outros dois são o material. O pedreiro deverá moldar os dois de tal modo que represente uma construção.
• Depois deste trabalho silencioso, os pedreiros vão observar as outras construções, bem como estar com os outros pedreiros.
• Num segundo momento formam-se duplas entre os pedreiros, em que um fica sendo o patrão e o outro o operário.
• Continua-se a construção ou reforma por algum tempo ainda, em silêncio. Encontram-se os donos e os operários...
• Partilha-se a experiência. Sugestões para provocar a partilha:
a) Como se sentiram construindo sua obra?
b) Como se sentiu sendo material de construção?
c) Como se sentiu sendo dono da obra? Sendo operário? Houve alguma diferença? Qual?
d) O que significa ser dono, material, operário?
Objetivo
Conscientização sobre a estrutura da sociedade.
Material
Uma maleta trancada à chave, dois lápis sem ponta, duas folhas de papel em branco, dois apontadores.
Processo
• Formam-se, com o grupo, duas equipes.
• A uma, entrega-se a maleta chaveada, com dois lápis sem ponta e duas folhas de papel em branco dentro.
• À outra equipe entregam-se a chave da maleta e os dois apontadores iguais.
• O animador ordenará que as duas equipes negociem entre si o material necessário para o cumprimento da tarefa que é a seguinte: Escrever no papel: "Eu tenho pão e trabalho".
• Vence a equipe que escrever primeiro e entregar a frase ao animador.
• Avaliar a dinâmica, questionando (se for o caso) atitudes de competição entre as equipes, ou entre pessoas isoladamente; como as decisões foram tomadas, se foram em conjunto ou manipuladas por um ou outro participante. Quem liderou? Como foi a negociação? Houve malandragem, corrupção ou chegou-se a um acordo? No final todos tiveram pão e trabalho? E os outros? Partilhar também os sentimentos vivenciados.
Objetivos
Tomar consciência das diferentes classes sociais no Brasil e quais as suas contradições. Compreender como se deu a dominação dos operários e camponeses, para que se conscientizem e unifiquem as suas lutas.
Material
Vendas para os olhos (oito participantes, mais ou menos).
Retalhos para amarrar as mãos de uns oito participantes.
Processo
• Antes de começar o jogo, chamam-se separadamente, sem que os outros percebam, quatro dos mais fortes e "espertos" do grupo. Combina-se que, quando for pedido, eles se ofereçam para o papel de cegos, como voluntários. Explicar que devem fingir que estão cegos, mas que realmente vão ser infiltrados (deixarão seus olhos serem vendados, mas na hora da brincadeira tentarão ver). Seu papel será impedir, em todos os momentos, que os cegos se unam.
• Pede-se a todos os participantes que se sentem em círculo. Quando todos estiverem sentados, solicitam-se oito voluntários para atuarem como cegos (incluindo os que vão fazer o papel de infiltrados). Pede-se que oito atuem como amarrados. Os demais participantes serão observadores. (Quanto mais participantes, maior o número de cegos e amarrados.)
• Um coordenador sai com o grupo dos cegos e outro fica com o de amarrados na sala, ou o mesmo coordenador fala com os dois grupos separadamente.
• Limpa-se o salão de cadeiras e móveis, para ficar um espaço amplo e livre.
• Instruções:
a) Para os cegos: tapam-lhes os olhos e se dá uma única regra: "Vocês devem unir-se e triunfarão quando todos os cegos, e somente os cegos, estiverem unidos, abraçados", b) Para os infiltrados (já havia sido combinado com eles antes, sem que os demais tivessem percebido), a ordem é: "Vocês devem impedir que os cegos se unam. Tratem de dividi-los";
c) Para os amarrados: "Quando começar o jogo, participem como quiserem";
d) Para os observadores: "Fiquem bem atentos".
Assim:
1° passo: Trazer os cegos para a sala onde estão os "amarrados". O animador diz em voz forte: "Eu mando e vocês obedecem". Aos cegos diz: "Vocês têm três minutos para se unir. Façam silêncio. Vencerão quando todos estiverem unidos e abraçados". Neste momento, cada grupo atua conforme instruções recebidas, até que o animador diga que o tempo acabou.
2°- passo: Ao final deste l2 tempo, o animador pergunta ao grupo: a) Os cegos conseguiram se unir? (Se não...) Vamos dar a eles outra oportunidade? Agora então os cegos podem falar. Tratem de se unir! Mais um tempo é dado para esta 2° tentativa.
3° passo: Ao final do 2° tempo, o animador pergunta ao grupo: a) Os cegos conseguiram se unir? (Se não...) Vamos dar a eles outra oportunidade? Agora então os cegos podem tirar as vendas dos olhos, mas nenhum pode tirar de seus próprios, e sim do outro. Tratem de se unir! Neste tempo, os infiltrados fazem todo o esforço para desunir e confundir os cegos, e estes tentarão, da forma mais rápida, conseguir sua união.
— Partilha da experiência. Neste momento pede-se a todos os participantes que expressem o que experimentaram durante o jogo (sensação vivida). Como se sentiram como cegos? Como amarrados? Como observadores? Em seguida, tenta-se reconstruir o jogo: a) Quantos grupos havia? b) Que regras foram dadas? c) Como atuou cada grupo? d) O que aconteceu em cada etapa?
— Por fim, aplica-se a dinâmica à realidade nacional:
—> Quem são os cegos de hoje? Por que estão cegos? Por que não podiam falar no princípio? (Objetivo: Identificar a classe explorada; cegos pelo analfabetismo, pela educação alienan-te e a propaganda dos dominadores; mudos pela falta de liberdade de expressão, pela repressão e pelo medo.)
—> Quem impede os cegos de se libertar da cegueira, no seu município, no seu estado, no Brasil? Que meios usam para isso? (Objetivo: Identificar os exploradores, a classe dominante. Identificar as formas, os instrumentos de dominação.)
—> Como deixar de ser cego? (Objetivo: Ver as formas de organização e lutas do povo.)
—> Quem não está cego no Brasil, hoje? Por quê? (Objetivo: Identificar os setores avançados da luta do povo.)
—> Quem seriam os amarrados? (Objetivo: Identificar a classe média ou "pequena burguesia". Esta vê a cegueira dos oprimidos e, em vez de ajudá-los, divide-os. A posição política da classe média varia muito, é vacilante... As amarras seriam a
educação alienante que recebem, seu consumismo, sua dependência dos privilégios. Pode-se também analisar que tipo de profissionais se forma nos países capitalistas e como reeducá-los no socialismo.)
— > Alguém percebeu que havia outro grupo além dos cegos e amarrados? Havia infiltrados entre os cegos? Quem eram esses espiões? Você sente desconfiança em relação a algum companheiro? (Objetivo: Identificares espiões e dedos-duros, hoje, nos movimentos populares. Ver quem os infiltrados representam: o imperialismo e a burguesia, que não aparecem na dinâmica.)
— > Por que os cegos não se uniram? Ou: Por que conseguiram unir-se? (Objetivo: Analisar os fatores necessários para a unificação do movimento dos trabalhadores no Brasil; superar a "cegueira", ter objetivos claros, ter organização, estar articulados, planejar e avaliar a própria ação, poder comunicar-se, ter lideranças, ter direção, traçar uma estratégia de luta, utilizar todos os métodos adequados e possíveis, ter fé e convicção na vitória. Comparar com o processo de unificação que está se dando nos movimentos populares...)
Objetivos
Aprender a visualizar a sociedade brasileira como uma estrutura composta de três níveis interligados. Estudar ordenadamente os elementos básicos da realidade nacional.
Material
Mapas do Brasil e da América Latina. Cartolina e canetas, lousa e giz. Uma árvore desenhada numa grande cartolina:
Parte de cima da árvore: Superestrutura (ideologia cuja função é a de reproduzir o sistema social).
Meio da árvore: estruturajurídico-política (estado, exército, partidos, instituições etc.).
Base da árvore: infra-estrutura (economia, relação de produção).
Processo
• Propor ao grupo que refuta acerca da sociedade, comparando-a com uma árvore. (O que representa a raiz? O que representa o tronco? E as folhas?)
• Dividir em pequenos grupos para que construam a árvore brasileira (ou seja, a estrutura sociopolítica e econômica do Brasil hoje; pode ser do Brasil, do estado ou do município...).
• Assim que terminarem a tarefa, cada grupo deverá apresentar em plenário a sua construção (árvore). Partilha, explicações, complementação com dados bem atuais.
• Sugestões de temas para a reflexão (em grupos ou em plenário):
—> Ver as contradições sociais que se manifestam nos três níveis; ver como atua o imperialismo norte-americano em todos os níveis; assinalar a grande concentração económica existente no Brasil e sua vinculação com o imperialismo (fábricas, latifúndios, multinacionais, FMI...); compreender nossa dependência económica, com a dívida externa.
—> Raízes: Econômico-social. a) Como está distribuída a propriedade dos meios de produção? b) Quais as classes sociais que encontramos? c) Quais são os recursos naturais e como são explorados? d) O que exportamos? O que importamos? Como são nossas relações económicas com outros países?
—> Tronco: Político-jurídico. A. Estado: Quem tem o poder político? a) Como estão formadas as forças armadas e que papel cumprem? b) Quem faz as leis e que tipo de leis existe? c) Quais os organismos de governo que existem? Quais suas funções? B. Organizações: Identifique qual é o seu papel, seja político, religioso, empresarial ou sindical... (partidos, Igreja, sindicatos...).
—> Folhagem: Ideologia: a) Idéias comuns, valores morais, proibições, crenças, costumes e vícios, b) A quem a educação beneficia e que conteúdo possui? c) Quem controla os meios de comunicação e quais são suas mensagens? d) Como são as relações familiares? e) Que expressões artísticas e culturais se conhecem?
—> Frutos: Quais são os frutos dessa árvore? Quem colhe e quem come os melhores frutos? O que sobra para o povo? Por quê? O que vamos fazer para que seja diferente?
Objetivos
Refletir sobre nossas cegueiras e suas causas. Tomar consciência da luta desigual que enfrentamos em nossa sociedade.
Material
Dois panos para vendar/tapar os olhos e dois chinelos ou porretes feitos com jornais enrolados em forma de cacetete.
Processo
Cobrir os olhos de dois voluntários e dar um chinelo ou porrete de jornal para cada um. Depois pedir para começarem uma briga de cegos, para ver quem acerta mais vezes o outro no "escuro". O restante do grupo torce para quem quiser.
• Assim que começar a "briga", o coordenador faz sinal para o grupo não dizer nada e desamarra a venda dos olhos de um dos voluntários e deixa a briga continuar. Depois de certo tempo tirar a venda também do outro e refletir sobre a experiência feita.
Nota: A reação dos participantes pode ser muito variada. Por isso é conveniente refletir algumas posturas como: indiferença x indignação; aplaudir o agressor x posicionar-se e defender o indefeso; lavar as mãos x envolver-se e solidarizar-se com o oprimido etc.
• Questões que podem ajudar: Primeiro perguntar aos voluntários como se sentiram e por quê. Depois dar a palavra também aos demais participantes. Qual foi a postura do grupo? Para quem torceram? O que isto tem a ver com nossa realidade? Quais as cegueiras que enfrentamos hoje? O que significa ter os olhos vendados? Quem estabelece as regras do jogo da vida social, política e econômica hoje? Como podemos contribuir para tirar as vendas dos olhos daqueles que não enxergam?
• Pode-se refletir o Evangelho de Mc 10,46-52 ou Lc 24,13-34.
Objetivos
Despertar a consciência crítica. Avaliar o espírito de observação e análise.
Material
Uma máscara ou fantasia para assaltante.
Processo
• Prepara-se um voluntário para fazer o papel do assaltante, sem que o grupo saiba.
• No momento em que o coordenador do grupo estiver encaminhando a reunião ou os trabalhos, o assaltante entra inesperadamente na sala, grita qualquer coisa, agride o coordenador, "rouba" algo e sai correndo (depois pode voltar à sala como se estivesse chegando atrasado para a reunião e não soubesse de nada). A ação deve ser rápida.
• Terminado o "assalto", o coordenador pede calma, recebe a pessoa que está chegando atrasada (o assaltante) e solicita que contem o que viram, já que não se deu conta dos fatos.
• Se o grupo acredita que houve realmente um assalto e não se deu conta de que se trata de uma dinâmica, seguir analisando o fato, perguntando pelas causas e que atitudes devemos tomar diante deste e tantos outros fatos semelhantes.
• Caso o grupo tenha percebido que se trata de uma dinâmica, refletir sobre a experiência: Como se sentiram? Quem já foi assaltado? Como foi? O que isso tem a ver com nossa realidade social, econômica e política? Como reagimos diante dos constantes assaltos aos cofres públicos, dos desvios de verbas...? Como vamos ficar a partir de então?
• No final, avaliar a experiência e as descobertas do grupo.
Objetivos
Despertar a criatividade do grupo. Fazer um levantamento da realidade do grupo.
Material
Revistas velhas, gravuras, jornais, fotos, durex, cola e bugigangas (sucata).
Processo
• Motivar o grupo a fazer um trenzinho, de acordo com o material disponível e sua criatividade. O trenzinho deve representar a realidade do grupo (da juventude, dos trabalhadores, das mulheres...). Realizar o trabalho em grupos de cinco a sete pessoas. Quando o trenzinho estiver pronto, avaliar o trabalho.
• Depois de uns 30 minutos, cada subgrupo expõe seu trenzinho no chão da sala. Em seguida, cada um vai observar o trabalho dos outros verificando o que há de novidade, o que vem em primeiro lugar, o que há de comum etc.
• Avaliar a experiência feita: Como o trenzinho foi feito? Como foram a participação e o envolvimento de cada um? O que o trabalho trouxe de novo para o grupo? Que aspectos da realidade ficou faltando? O que isso tem a ver com a realidade brasileira? etc.
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